Roteiro Jalapão – Tocantins

Em 05/07/2017 por Juliana Tolfo

Está pensando em ir para o Jalapão? Então antes de tudo, dá uma olha nas dicas no primeiro post.

Depois continue lendo aqui abaixo o dia a dia da viagem com todos os detalhes do roteiro Jalapão360 de 4 dias da empresa Aventura Eco, que foi realizado de forma completa, um circuito que passa pelos principais e mais bonitos pontos do Jalapão. Tudo ocorreu conforme planejado, a organização da expedição foi ótima, guia experiente e animado, pudemos aproveitar os locais e como bônus ainda fizemos novas amizades.

No primeiro post sobre o Jalapão comentei o porquê de fazer esse roteiro com a agência e tudo o que eu descrever abaixo está incluso no valor da expedição, exceto a trilha na Serra do Espírito Santo e as bebidas das refeições.

Dia 1

Distância total percorrida: 346km (104km em estrada asfaltada e o restante em estrada de terra)

Visitação: Fervedouro Bela Vista, Fervedouro do Ceiça (pode haver troca por outros fervedouros, vai depender da quantidade de pessoas, do tempo disponível etc)

Pernoite: Mateiros/TO, Pousada Panela de Ferro

Alimentação: almoço e jantar

Itinerário:

Saindo de Palmas às 7h até Novo Acordo são 104km feitos em 2h por estrada asfaltada. Aqui foi feita a primeira parada rápida para banheiro.

De Novo Acordo a São Félix do Tocantins são mais 146km em estrada de terra pela TO-110. Foram 3h30 com paradas para esticar as pernas (super necessário) em pontos como no Morro da Catedral e no Morro Vermelho (também chamado de Morro do Gorgulho ou Morro dos Macacos), apenas para contemplar.

Chegando em São Félix do Tocantins fomos visitar o fervedouro Bela Vista, o primeiro do dia e que fica a 3km da pequena cidade. Tem uma pequena trilha (pequena mesmo, menos de 1 minuto) e um deck de madeira onde você pode sentar e contemplar. É o maior fervedouro da região e tem uma limitação de 10 pessoas dentro d’água. Não é permitido usar cremes, repelentes, protetor solar etc, nem pular do deck. O fundo parece feito de areia movediça e a temperatura da água é ótima, refrescante! O fervedouro Bela Vista é propriedade privada do Sr. Gelcimar, muito simpático e que apenas há 3 anos oferece sua propriedade para o turismo. Ali foi o local do almoço muito saboroso.

De São Félix do Tocantins até Mateiros são mais 90km de estrada de terra, mas no caminho paramos no fervedouro Bananeiras, de propriedade do Sr. Ceiça e por esse nome comumente conhecido. Esse foi o primeiro a ser aberto à visitação no Jalapão na década de 90. É uma nascente de menor capacidade, para 6 pessoas por vez, mas a força da água é maior. Lembro que a sensação que tive parecia de peixinhos beliscando as pernas, mas era a areia em movimento bem no centro do poço. Não conseguia fixar os pés do chão por causa dessa movimentação, parecia que estava sendo levemente empurrada pra cima.

Quando saímos do fervedouro do Ceiça já estava entardecendo e o primeiro pôr do sol aconteceu quando estávamos na estrada sentido Mateiros. Lindo e inesquecível.

Chegamos na pousada às 18h15min e depois do banho quentinho, o grupo saiu todo junto para jantar na pousada Beira da Mata, incluso no roteiro. Era buffet com arroz branco, feijão, farofa, macarrão ao alho e óleo, tudo delicioso.

Dia 2

Distância total percorrida: 180km em estrada de terra

Visitação: trilha da serra do Espírito Santo (opcional), povoado Mumbuca, Cachoeira do Formiga, Fervedouro do Rio do Sono, Dunas douradas

Pernoite: Mateiros/TO, Pousada Panela de Ferro

Alimentação: café da manhã, almoço e jantar

Itinerário:

Esse passeio é opcional, portanto cobrado à parte o valor de R$100 por pessoa, pelo guia e transporte.

Acordamos às 3h30 para fazer a trilha da serra do Espírito Santo a 15km de Mateiros. Foram pouco mais de 40 min de carro em estrada de terra até a base da serra. Começamos a subida às 4h40 da manhã e chegamos ao topo às 5h30. Durante todo o trajeto estava muito escuro, mas nosso guia Marcos ia avisando o que vinha pela frente, embora cada um tivesse sua lanterna. A trilha toda é de subida na ida e fazia bastante calor mesmo sendo madrugada. Água e lanche não devem ser esquecidos! Além de calçados apropriados e repelente. Chegando lá em cima ainda deu tempo de lanchar antes do sol nascer e quando começou o espetáculo já estávamos prontos pra fotografar e apreciar.

Estava bem nublado desde a noite anterior, durante a subida não víamos nada de estrelas e fiquei só imaginando como seria o céu estrelado naquela escuridão. Mesmo assim, as nuvens deram um toque muito especial porque os raios solares passavam entre as nuvens. Ventou um pouco e deu uma chuviscada. Foi muito bom!

Voltamos para a pousada para tomar café da manhã.

Saímos para visitar o povoado Mumbuca, de origem quilombola há mais de 200 anos e que vive basicamente da venda dos produtos artesanais de capim dourado. Tem aproximadamente 60 famílias e foi por causa desse artesanato que o Jalapão ficou conhecido.

Por causa da época não vimos capim dourado crescido nas chamadas veredas, regiões baixas com partes alagadas. Nasce de uma roseta e só pode ser colhido de 20 de setembro a 30 de novembro. Ele já nasce douradinho e à medida que vai secando fica mais dourado. Somente em setembro que se vê o capim dourado alto, época de muito calor. É proibido vender capim in natura, dessa forma, o artesanato de capim dourado só pode ser produzido nessa região do Jalapão e depois dos objetos produzidos podem ser transportados.

Saindo do povoado depois de umas comprinhas, em 20 minutos chegamos na Cachoeira da Formiga (30km de Mateiros), lugar encantador onde nos divertimos muito e que fica dentro de uma propriedade particular. Aqui não pode usar repelente, protetor solar, xampu, sabonete ou outros produtos de pele e cabelo, o que ajuda a manter a preservação da água.

A água é cristalina com tom esverdeado e temperatura super agradável! O poço é fundo, não dá pé. Na pequena queda d’água pode-se banhar e de quebra fazer uma massagem nas costas. Tem um deck de madeira de onde se pode pular ou, se preferir, descer pelas escadas. Ficamos mais de 1h nesse ponto que foi um dos preferidos da galera, até porque não havia nenhum outro grupo dividindo o espaço com a gente.

Tem uma pequena parte que é mais rasa e tem uma escada para descer na água mais tranquila, embora corrente. Nessa parte dá para alcançar o fundo.

Ainda no segundo dia do roteiro e logo após a cachoeira do Formiga, fomos ao fervedouro do Rio do Sono (10km de Mateiros), dentro da propriedade privada da D. Olaídes e do Sr. Martins e que fez um almoço delicioso. Este fervedouro é bem rasinho e pequeno, a água nasce borbulhando aos seus pés com menor pressão quando comparado com outros fervedouros e é o que mais tem peixinhos. Tem um enorme pé de buriti bem na borda e bananeiras que enfeitam as margens.

A temperatura da água é super agradável e tem bastante sombra. Aqui segue-se as mesmas regras dos outros fervedouros: não é permito entrar na água com produtos de pele como protetor solar por exemplo, não pode pular do deck e tem um limite de 6 pessoas por vez dentro da água.

A última atração do dia foi a visita ao cartão postal do Jalapão: as dunas de areias douradas. Foi um trecho de 30km em estrada de terra e areia fofa, saracoteando dentro do necessário veículo 4×4. O caminho é muito bonito, principalmente depois que sai da estrada principal e entra numa estradinha de pura areia fofa e com vista da Serra do Espírito Santo.

Na porteira de entrada do Parque Estadual do Jalapão tem controle de acesso de pessoas e uma placa proibindo o use de drones. Depois de estacionar o carro, saia descalça para andar pela trilha de areia até as dunas e aprecie a natureza do cerrado, com maritacas e araras voando.
É proibido subir a duna fora da trilha indicada por placas e andar ou sentar nas suas bordas superiores, para que se evite desmoronamentos. As dunas são o ponto de encontro de vários grupos para apreciar o pôr do sol de um lado e a Serra do Espírito Santo do outro. Hoje, atipicamente para a época, choveu em vários locais na redondeza e o céu ficou enfeitado de nuvens coloridas, raios e trovoadas ao longe, mas por sorte não choveu onde estávamos. As dunas do cerrado são consequência de processos erosivos das rochas areníticas da Serra do Espírito Santo.

Voltamos para dormir na mesma pousada da noite anterior em Mateiros.

Dia 3

Distância total percorrida: 188km em estrada de terra

Visitação: Cachoeira da Velha, prainha do Rio Novo, Cânion Sussuapara, Pedra Furada

Pernoite: Ponte Alta/TO, Pousada Águas do Jalapão

Alimentação: café da manhã, almoço e jantar

Itinerário:

Saída da pousada às 8h30 até o primeiro ponto de parada, em torno de 4h de viagem (90km) em estrada de terra até a Cachoeira da Velha. Aqui é ponto de contemplação, pois o volume e agressividade da água são grandes. É muito bonito, tem passarelas de madeira para chegar no mirante.

Depois das fotos seguimos mais uns 30 minutos de carro até à praia do Rio Novo, onde foi uma parada de umas 2h para tomar banho e fazer um lanche especialmente preparado pelo Higor e o Marcos da Aventura Eco. Essa prainha é uma delícia, a água é refrescante, mas tem que ter muito cuidado com a correnteza. Marcos nosso guia deu todas as recomendações sobre os locais próprios e seguros para o banho no rio.

Seguindo mais de hora pela estrada de terra paramos no Cânion Sussuapara, 20km antes de chegar em Ponte Alta. Uma trilha bem curtinha e uma descidinha e você já sente o frescor do cânion. As paredes de onde brota água têm até 15 metros de altura e entre elas se forma um pequeno córrego. No final da caminhada pelo cânion, tem uma cascatinha entre as rochas. Um lugar bem gostoso. Fico pensando como encontraram esse lugar, pois ele fica abaixo do nível da estrada e no meio da mata.

Continuando pela estrada, chegamos enfim a Ponte Alta, distante 96km desde a Cachoeira da Velha. Ainda neste mesmo dia fomos ver o pôr do sol na Pedra Furada, que fica a 25km além de Ponte Alta. É uma formação arenítica muito interessante em meio à extensa planície do cerrado. O pôr do sol neste dia ficou encabulado e conseguimos chegar ao carro segundos antes do temporal que caiu na região.

Dia 4

Distância total percorrida: 290km (150km em estrada asfaltada e o restante em estrada de terra)

Visitação: Cachoeira do Soninho Grande e do Soninho Pequeno

Alimentação: café da manhã e almoço

Chegada em Palmas, fim da expedição.

 

No quarto e último dia da expedição Jalapão com o pessoal nota 1000, tomamos um banho relaxante na Cachoeira do Soninho Pequeno, um pouco mais distante que a Pedra Furada do dia anterior. Antes demos uma paradinha na Cachoeira do Soninho Grande que é apenas para contemplação, pois o volume de água é imenso e escorre no meio de pedras e cai num cânion que nem consegui enxergar o fundo.

A cachoeira do Soninho Pequeno é ótima para um banho de despedida do Jalapão. Tem água refrescante e ninguém resiste. Lugar muito agradável e banho seguro nas pequenas quedas.

Lindo demais e assim terminou a expedição em um dos lugares mais bonitos que já conheci no Brasil.

Não esqueça de ler no post anterior clicando aqui, o que escrevi sobre as dicas gerais para antes de ir ao Jalapão.

Não arranquei as flores, estão no pé.

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Juliana Tolfo
Juliana Tolfo: nasceu no Rio Grande do Sul, mas mora há dez anos no Rio. Adora desbravar lugares, principalmente aqueles que tenham belezas naturais e atividades ao ar livre. Ama fotografar e edita vídeos incríveis de viagens. No instagram compartilha suas belas fotos e ótimas dicas no perfil @julijourney.
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